ANPD inicia monitoramento de Apple, Google e Microsoft no âmbito do ECA Digital

18 de junho de 2026

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) iniciou uma nova etapa da implementação do ECA Digital ao notificar Apple, Google e Microsoft para prestar informações sobre os mecanismos de aferição de idade e os chamados “sinais de idade” disponibilizados em seus sistemas operacionais e lojas de aplicativos, dando início a um monitoramento regulatório inédito.

A medida integra os esforços da Autoridade para fortalecer a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, tema que vem ganhando relevância crescente na agenda regulatória brasileira e internacional.

 


 

Por que a ANPD começou por Apple, Google e Microsoft?

A escolha dessas empresas não é por acaso. Sistemas operacionais e lojas de aplicativos ocupam posição estratégica no ecossistema digital e podem influenciar diretamente a forma como plataformas, aplicações e serviços implementam controles de idade, ferramentas de supervisão parental e medidas de proteção adequadas para usuários menores de idade. Essa posição de gatekeeper torna essas empresas prioritárias na regulação digital. 

O movimento também reforça a tendência de ampliar a responsabilidade dos agentes envolvidos na cadeia digital, especialmente quando seus produtos ou serviços podem ser acessados por crianças e adolescentes.

 

O que a ANPD quer saber das big techs?

Entre os temas que estão no radar da ANPD destacam-se:

  •  mecanismos de aferição ou estimativa de idade;
  •  proteção reforçada de dados pessoais de crianças e adolescentes;
  • controles parentais e recursos de supervisão;
  • avaliação e mitigação de riscos para o público infantojuvenil;
  • adoção do princípio do melhor interesse da criança e do adolescente no desenvolvimento de produtos e serviços digitais.

 


 

Cronograma e próximos passos

Outro ponto importante é que, segundo o cronograma divulgado pela ANPD, a partir de agosto de 2026 terá início a segunda fase de implementação do ECA Digital, quando a 

Autoridade pretende ampliar o monitoramento para outros setores e grupos de fornecedores, que serão definidos com base nos critérios de risco previstos na legislação e nas informações coletadas na primeira etapa.

Embora ainda não haja definição sobre quais segmentos serão priorizados, a mensagem regulatória é clara: empresas que desenvolvem, operam ou disponibilizam produtos e serviços digitais devem acompanhar de perto a evolução desse tema e avaliar seus processos de governança, privacidade e proteção de crianças e adolescentes.

Afinal, a discussão já não se limita à proteção de dados. Ela envolve também desenho de produtos, inteligência artificial, gestão de riscos, segurança digital e responsabilidade corporativa.

A pergunta que as empresas de tecnologia deveriam fazer agora é: Como está o seu processo de adequação às exigências do ECA Digital?

 


 

Fonte:

¹ AUTORIDADE NACIONAL DE PROTEÇÃO DE DADOS. ANPD inicia monitoramento de Apple, Google e Microsoft no âmbito do ECA Digital. Brasília, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/anpd/pt-br/assuntos/noticias/anpd-monitoramento-lojas-de-aplicativos-sistemas-operacionais.

 


 

Como o Assis e Mendes pode apoiar

O monitoramento da ANPD sobre Apple, Google e Microsoft representa o primeiro movimento concreto de fiscalização do ECA Digital, sinalizando que a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital deixou de ser uma tendência para se tornar uma exigência regulatória em curso. Empresas de tecnologia, plataformas digitais e desenvolvedoras de aplicativos precisam estar atentas aos critérios de risco que serão aplicados na segunda fase do monitoramento, a partir de agosto de 2026.

O Assis e Mendes apoia organizações na adequação às exigências do ECA Digital e da LGPD, com atuação estratégica em governança de dados, desenho de produtos, mecanismos de aferição de idade, supervisão parental e avaliação de riscos para o público infantojuvenil. Nossa equipe auxilia na revisão de políticas de privacidade, implementação de controles técnicos e estruturação de programas de compliance digital alinhados à nova realidade regulatória.

Com a ampliação do monitoramento para outros setores prevista para agosto de 2026, antecipar ajustes reduz riscos regulatórios e fortalece a segurança jurídica da sua operação digital.

 

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Sobre o autor

Fernanda Soares é advogada no Assis e Mendes Advogados, especialista em Compliance, Proteção de Dados e LGPD. Atua como DPO e Controller Jurídica, apoiando empresas na implementação de programas de governança, proteção de dados e conformidade regulatória.

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