Todo dia, colaboradores das mais diversas áreas usam ferramentas de inteligência artificial para ganhar tempo: resumem contratos, analisam dados, redigem e-mails, geram relatórios. O problema não está na ferramenta. Está no que é inserido nela e no que acontece com essa informação depois.
Se você ainda não mapeou quais dados estão sendo processados por essas plataformas dentro da sua empresa, provavelmente já está exposto a riscos que não aparecem em nenhum relatório interno.
Você pode estar pensando: “minha empresa tem um jurídico, isso já está coberto.” Na maioria das vezes, não está. O uso de IA corporativa raramente passa pela área jurídica antes de virar rotina. Ele começa no operacional, escala rápido e chega ao jurídico só quando o problema já aconteceu.
O que as ferramentas de IA fazem com os seus dados?
A resposta depende de cada plataforma, e as diferenças importam. A maioria dos serviços voltados ao público geral opera com termos de uso que permitem o uso das informações inseridas para treinamento de modelos, aprimoramento de sistemas ou armazenamento em servidores de terceiros, frequentemente fora do Brasil.
Na prática, isso significa que dados pessoais de clientes, informações financeiras, segredos de negócio e estratégias internas podem estar sendo processados por infraestruturas sobre as quais sua empresa não tem controle nem visibilidade.
Em relação aos dados pessoais, a LGPD é clara: o controlador, ou seja, sua empresa, é responsável por saber o que acontece com os dados que coleta e utiliza. Transferências internacionais de dados pessoais estão sujeitas a requisitos específicos. Operar sem um contrato de processamento de dados com o fornecedor da ferramenta de IA pode, por si só, configurar uma violação.
Três riscos que sua empresa provavelmente ainda não quantificou:
Exposição de dados pessoais. Informações de clientes, colaboradores e parceiros que circulam em prompts de IA podem ser retidas e processadas por terceiros. A empresa continua sendo a responsável perante a ANPD e perante os titulares. Uma notificação de incidente, nesse cenário, é questão de quando, não de se.
Vazamento de segredos empresariais. Minutas contratuais em negociação, dados financeiros não públicos, estratégias comerciais e informações sobre produtos em desenvolvimento perdem o caráter de confidencialidade quando inseridas em plataformas de terceiros. Dependendo dos contratos firmados com clientes e parceiros, isso gera responsabilidade direta.
Ausência de governança. Sem uma política clara, cada colaborador decide por conta própria o que pode ou não compartilhar com essas ferramentas. A empresa não sabe o que está saindo, não consegue rastrear e, na maioria dos casos, não tem como remediar.
O que fazer a partir de agora?
Com medidas concretas de governança, você mantém os ganhos de produtividade que a IA oferece sem abrir mão da proteção dos dados dos seus clientes e das informações estratégicas do seu negócio. O caminho começa em três frentes:
Política interna de uso de IA: Não precisa ser extensa, mas precisa definir quais ferramentas são autorizadas, quais categorias de informação não podem ser inseridas e quais são as consequências do descumprimento.
Revisão dos contratos com fornecedores de IA: Verifique se há cláusulas de confidencialidade, se existe um Acordo de Processamento de Dados (DPA) e se os termos são compatíveis com as obrigações assumidas perante seus clientes.
Capacitação das equipes: O colaborador que usa IA sem critério não é o problema: ele simplesmente não foi orientado. Treinamentos objetivos com exemplos práticos do que é aceitável e do que não é reduzem significativamente o risco de incidentes.
Ferramentas de IA com planos corporativos geralmente disponibilizam configurações mais restritivas de privacidade, incluindo a possibilidade de desativar o uso dos dados para treinamento de modelos. Essa avaliação é simples e tem impacto imediato.
O uso de IA no ambiente corporativo não tem retorno. A pergunta que fica é outra: sua empresa vai estruturar esse uso antes ou depois do primeiro incidente?
Este artigo também está disponível em uma versão resumida, com os principais pontos sobre os riscos da IA corporativa sem governança. O material pode ser consultado ou baixado no link abaixo:
Como o Assis e Mendes pode apoiar
Empresas que ainda não possuem política de uso de IA, matriz de risco, revisão contratual dos fornecedores, treinamento interno e avaliação de LGPD devem tratar o tema como prioridade de governança.
O primeiro passo não é proibir a IA.
É organizar seu uso com segurança jurídica, proteção de dados e clareza operacional.
Para estruturar uma política interna de IA, revisar contratos com fornecedores, avaliar riscos de LGPD ou treinar equipes, fale com a equipe do Assis e Mendes Advogados.
📲 Converse com a nossa equipe diretamente pelo WhatsApp:
👉 Clique aqui para iniciar a conversa
Para saber mais sobre este e outros temas relacionados à privacidade e proteção de dados pessoais e tecnologia, a equipe do Assis e Mendes possui especialistas prontos para atender as necessidades de sua empresa. . Entre em contato conosco pelo site www.assisemendes.com.br.
Sobre o autor
Mariana Ferreira é advogada no Assis e Mendes Advogados com atuação em Direito Empresarial, Proteção de Dados, contratos de tecnologia, governança de IA, LGPD e estruturação jurídica de produtos digitais.
Interno: Mariana Ferreira – 15/04/2026 – IA CORPORATIVA SEM GOVERNANÇA: Um risco que já está acontecendo
Área do direito: Privacidade e Proteção de Dados / Consultivo Digital e Tecnologia
