Acredite, o Google sabe aquilo que você está querendo comprar, o seu smartphone conhece o caminho que você faz para casa e o Facebook pode dizer quem são os seus melhores amigos.

Sempre que estamos na internet, não só fornecemos dados de IP aos servidores como também entregamos informações preciosas sobre nossa vida pessoal, desejos e hábitos de compra.

Em um cenário como esse, será que é possível falar em privacidade na internet?
Este é um assunto bastante polêmico, e ainda não há uma resposta definitiva para essa pergunta. A verdade é que estamos cada vez mais expostos, mas ainda existem algumas maneiras de estarmos cientes de que tipo de dado é coletado e escolher o que a internet pode ou não saber sobre nós.

Como manter a sua privacidade

Para manter a sua privacidade enquanto pessoa física, o ideal é prestar atenção nos seguintes pontos:

Leia as políticas de privacidade: todos os grandes sites e aplicativos têm textos que revelam suas políticas de privacidade e Termos de Uso, e é importante que você as leia para saber exatamente que dados serão colhidos e o que será feito com eles. Em alguns casos, você pode até desativar certas opções de recolhimento de dados manualmente. A única coisa que não adianta é fazer “textão” no Facebook, se você começar a utilizar um serviço já concordou com suas políticas de privacidade, mesmo se não as tiver lido.

Reveja as configurações das suas redes: a maioria das redes sociais permite que você controle quem quer que veja, ou não, o conteúdo que publica. Esteja sempre alerta a essas configurações para manter suas publicações protegidas.

Cuidado com o Wi-Fi público: as redes públicas são mais propensas ao roubo de informações, então o ideal é usar sempre um Wi-Fi particular e seguro, principalmente quando for acessar sites que dependem de login com dados pessoais e bancários.

Adote a confirmação em dois passos: esta é mais uma medida de segurança, mas vale a pena ser mencionada e adotada. Muitos serviços, como o Facebook e o WhatsApp, podem ser configurados para que, além de login e senha, seja necessário usar uma segunda senha ou código gerado aleatoriamente para ter acesso.

Invista no “late check-in”: você costuma fazer check-ins compartilhando sua localização? Por segurança, o ideal é marcar o local que você visitou depois de sair dele.

Cuidado com o que você clica: clicar no lugar errado ou baixar um app pirata pode levar vírus para o seu equipamento, mas isso, provavelmente, você já sabe. O maior problema é que está crescendo, cada vez mais, o número de ataques de ransomware, um tipo de software nocivo que “sequestra” os dados do seu computador e cobra um resgate em bitcoins para a devolução dos arquivos. Quem não paga corre o risco de ter o conteúdo perdido para sempre ou mesmo divulgado na internet.

Como assegurar a privacidade e a segurança de seus clientes

Como empresa, também é importante que você se preocupe com a privacidade dos seus clientes e demonstre isso a eles. Algumas atitudes que você pode ter para isso são:

Desenvolver uma política de privacidade: se você tem um site, e-commerce, blog, app ou qualquer outro tipo de presença online é importante que deixe claro para o consumidor como, por que e com qual finalidade está coletando os dados dele. Nesse ponto, vale uma dica importante: crie textos claros e evite os muito longos para facilitar a leitura e o entendimento do usuário.

Use criptografia: a criptografia é uma tecnologia que codifica a comunicação entre o computador do seu cliente e o servido onde o seu site está hospedado. Com ela, mesmo que uma pessoa mal-intencionada chegue a interceptar a troca de dados entre os dois computadores, não será capaz de desvendar o código.

Você pode ter seu site criptografado usando um certificado SSL, que também acrescenta o prefixo HTTPS e um cadeado ao lado da URL do seu site. Essas características já são reconhecidas pelos clientes como sinais de um site seguro e ajudam a aumentar a confiança do consumidor na sua marca.

Tenha uma plataforma confiável: usar plataformas de hospedagem, servidor, banco de dados e softwares e e-commerce conhecidos no mercado e com boa estrutura de segurança também é fundamental para garantir a privacidade dos seus clientes.

Quando você economiza nesses quesitos e escolhe plataformas que não são tão bem estruturadas, corre o risco de não haver um sistema de proteção tão robusto e a chance de as informações dos seus consumidores vazarem são maiores.

Conte com apoio jurídico: não espere que haja um problema de quebra de sigilo com as informações dos seus clientes ou que um consumidor entre em uma disputa jurídica com sua empresa por causa de falhas na descrição da sua política de privacidade. Inicie o seu negócio plenamente estruturado com as melhores práticas de Direito Digital e proteja sua empresa e seus clientes.