Plano Nacional de Data Centers (Redata): O que muda para empresas que usam ou operam infraestrutura digital no Brasil

29 de junho de 2025

O ambiente digital brasileiro está passando por uma fase de transformação com o lançamento do Plano Nacional de Data Centers (Redata)  e a iminente publicação de uma Medida Provisória que desonera a importação de chips de alta performance, empresas que operam ou contratam soluções em nuvem, inteligência artificial, big data e processamento de dados devem reavaliar seus planos e estratégias de infraestrutura.

Neste artigo, destacamos as principais iniciativas previstas, seus impactos diretos e indiretos para o setor privado e como sua empresa pode se preparar — independentemente do posicionamento político ou ideológico.

O que é o Plano Nacional de Data Centers (Redata)?

O Redata é um programa governamental que visa fomentar investimentos em infraestrutura digital no país, com foco na ampliação da capacidade computacional local. A proposta central é criar um ambiente mais competitivo para data centers no Brasil, especialmente frente aos altos custos tributários e operacionais que historicamente levam muitas empresas a alocar recursos fora do país.

O plano prevê ações em blocos, com envolvimento gradual do setor privado e aplicação de incentivos fiscais e exigências técnicas.

Principais medidas já anunciadas pelo Plano Nacional de Data Centers

1. MP da desoneração de chips

Prevista para publicação em breve até julho de 2025, a MP isenta de Imposto de Importação, PIS e Cofins a aquisição de chips de alta capacidade — como as GPUs utilizadas em operações de data center e inteligência artificial. O objetivo é reduzir o custo de importação de componentes estratégicos.

Impacto prático:
Empresas que operam ou planejam operar data centers, além de fornecedores e parceiros da cadeia de tecnologia, poderão se beneficiar diretamente da desoneração, reduzindo o custo de expansão ou modernização de infraestrutura.

2. Novo regime tributário do Plano Nacional de Data Centers

O Redata também prevê a criação de um regime fiscal específico, com:

  • Isenção de IPI, PIS e Cofins sobre equipamentos destinados a centros de dados;

  • Redução do Imposto de Importação para itens sem produção nacional;

  • Desoneração de exportações de serviços baseados em data centers.

Impacto prático:
Pode viabilizar novos modelos de negócio e fortalecer a infraestrutura local para serviços de nuvem, armazenamento e processamento de dados.

3. Exigências ambientais e sociais

Empresas que aderirem ao Redata deverão:

  • Utilizar energia 100% renovável e limpa;

  • Adotar soluções de eficiência energética e hídrica;

  • Destinar parte da capacidade computacional a projetos de interesse público ou nacional;

  • Repassar 2% da receita de fornecedores de chips ao FNDIT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Industrial e Tecnológico), voltado à formação técnica e inovação.

Impacto prático:
Embora traga incentivos fiscais, o programa exige compromissos ambientais e contrapartidas sociais, que devem ser considerados na análise de viabilidade e no planejamento de conformidade.

4. Marco legal em discussão

Está em andamento no Congresso a discussão sobre um marco regulatório para data centers (PL 3018/2024) , com propostas voltadas à segurança jurídica, proteção de dados, sustentabilidade e incentivo à inovação.

Impacto prático:
As empresas do setor devem acompanhar a evolução normativa, que pode afetar a forma como infraestrutura digital será construída, operada e fiscalizada no país.

O que tudo isso significa para sua empresa?

As mudanças em curso têm potencial para reequilibrar o custo-benefício entre operar infraestrutura digital no Brasil ou no exterior. Mesmo empresas que não possuem estrutura própria, mas contratam serviços de nuvem ou IA, podem ser impactadas:

  • Melhora na latência e disponibilidade de serviços locais;

  • Revisão de contratos com fornecedores de tecnologia;

  • Ajustes de compliance à luz da LGPD e de normas ambientais;

  • Oportunidade de repensar estratégias de alocação de dados e workloads.

Para setores regulados (financeiro, saúde, telecom, educação), a ampliação da capacidade nacional pode representar ganhos em governança e controle de dados sensíveis.

Como o Assis e Mendes pode apoiar

O Assis e Mendes acompanha de perto os impactos jurídicos, fiscais e contratuais do Redata e está pronto para apoiar empresas que:

  • Planejam investir ou expandir infraestrutura digital no Brasil;
  • Precisam revisar contratos com provedores de nuvem, colocation ou IA;
  • Estão avaliando riscos regulatórios e obrigações de compliance ambiental;
  • Desejam aproveitar incentivos fiscais com segurança jurídica.

Fale com nossa equipe

Em um cenário regulatório em constante evolução, sair na frente é o que diferencia empresas líderes daquelas que apenas reagem às mudanças.

O Assis e Mendes está pronto para apoiar sua organização na construção de uma estratégia jurídica sólida, inovadora e alinhada com o futuro da infraestrutura digital no Brasil.

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Sobre a Autora

Bianca Pinheiro é advogada, sócia e atual COO do Assis e Mendes. Atua na coordenação da estruturação jurídica de projetos envolvendo dados, tecnologia e governança digital, com foco em empresas de base tecnológica.

Especialista em Direito Público e pós-graduada em Governança de Tecnologia da Informação pela Unicamp, possui certificações em DPO (Assespro/RS), PDPE, PDPF e ISFS pela EXIN.

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